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07/08/2011

Delírio


Como um semblante
arrojado e abrigado
num dispêndio 
de um nada solidário 
compareceu perante o sonho
uma preciosidade
com a energia do fim.
Numa demanda
incessante 
instintiva de percurso
como algo sem fronte
nem encargo ou beneficio
numa alusão à realidade 
sem nada
no resumo de tudo.
Tudo isto  
sem um sentido
assim existiu
no âmago do seu ter,
aquele que nada é sem nós!
Paralisado por mundos solitários
com aquele sabor que sobra
na brecha de uma leveza
deixa-me repousar
deturpado com o odor do real.



18/06/2011

Percurso de infindas intenções
que me convertes numa procura 
de nada que permanece.
Quem me impede,
nada faz por voltar 
a abalar o que revivi .
Quando devo estar atento 
ao teu sonho 
e ao teu dizer no momento?
Quando?
Se naquele instante e intuição de nós,
surgem vocábulos desfeitos
com origem num regresso do nada.
Nos mundos transviados 
por dias sem fim
onde aquilo que não existe é mais forte
do que aquilo que se dá.

31/05/2011




Hoje,
poder antever réstias de tudo,
nas palavras que me destinas
será uma mágoa,
marco do teu contento.
Com isso fomentas no desconsolo
de estar perto de alguém
que por não me poder ter mais,
intensifica em mim
o desalento de coisa sem paladar. 
Misterioso este capricho ou sabor
num plano sem certezas
mas com desejos. 
Como se não sobejasse
nem uma ínfima partícula de ti
que permitisse criar
sensações desse teu ser!
As vontades subtraídas,
moldam-se ao reflexo
de encontros
ou desencontros de tudo
que a nossa memória conquistou,
abriga ou despreza.
Tenho-te apenas,
em mim numa forma
mais desconcertante
que alguém pode ter,
como se desejasse não me lembrar
do desprazer que me dá esse contento!
Mas tenho-te aqui
sempre presente,
em cada traço do meu dia,
como se fosses o reflexo
do melhor que se pode dar. 
Ambiciono ter-te para sempre
como episódio eminente
de tudo aquilo
que me faz encontrar razões
onde eu próprio estranhava,
que deixa marcas nos poros
ou em focos de respiração 
incessante por ti.
Se estes não pudessem cumprir a sua vital função,
pelo facto de estarem vedados a tudo
o que experimentei
diante e contíguo a ti
chegaria já
para mostrar caminhos de futuros
naquela memória sem alternativa
que constantemente suplica que te deixe partir.
Escapar e compor essa vontade
no que está oculto no meu corpo,
naquilo que for ressentido
faz-me sempre inverter
esse porto de abrigo
que foste
e que continuas a ser,
até à pronunciação do desfecho dos tempos.



30/05/2011



Vive em conformidades consigo mesmo,
sem nada sofrer
só pensando nos outros 
em auxílios!
Quando alguém lhe perguntava por si, 
em tudo
lhe ecoavam as conquistas e a ficção.
Aquelas perfeições
de dias mal passados
eram bons reflexos, com clarões
daquelas cedências
que não completou, 
e extinguiu-se!
Quem construiu um mundo perfeito,
também lhe escolheu o esquecimento,
por isso
não soube que tudo o que tinha,
consistia num refúgio 
carregado de imperfeições.
Quem lhe apregoava tudo isso
também lhe disse
que o mundo
era esse, assim
repleto de contradições,
com estratégias 
ou nas extravagâncias
onde apenas as pressas sejam
uma composição daquilo que não se adquiriu
por ser frágil a conquistar.

29/05/2011

As palavras que nunca te direi....

Escondo os clamores que às vezes me apetece dar, 
para saber de ti.
Reprimo-me invisivelmente e não falo 
para que não saia desta boca 
o som ténue e cada vez mais corroído 
que não nos une.

Escrevo palavras que ofertam, 
como se elas por si só, 
doessem, e às vezes 
choro quando o faço. 





E atenua, mas há palavras que nunca te direi!
Não por pudor, 
não por receio, a
penas porque não as perceberias, 
porque eu não saberei o que fazer com elas, 
e por isso não as poderei dizer.
Tenho a certeza que elas 
têm existências cheias de vida, 
árduas, carregadas de mim.
Mas escrevo apenas algumas, 
as que sinto a sua leveza de as escrever, 
naquilo que se traduz em serem tão rápidas 
de escrever como o são quando as considero.
Cogito realidades com uma fúria de sentir, 
de dilatar, de não magoar ou ofender.
Prescrevo-as 
como se de receitas 
de sobrevivências se tratassem, 
qual remédio de ficar robusto, 
bálsamo de não desvairar.
Quem sabe um dia ceda e leve 
até ti tudo isto que rabisquei.
 Seja a raiva do desejo que avalio, 
seja a ferida por malefício pouco eficaz, 
sejam memórias de instantes tão bons, 
seja o que te sinto, sei que são as saudades 
que cerceiam neste sentimento 
a que já nem sei dar título e que experimento por ti.

Quando sinto que te omito, i
sso em mim ainda é afecto.
Às vezes completo-o com o gracejar das minhas realidades acanhadas, 
e assim invento-te só porque existes. 
Mas tu não sabes.
Alguma vez sinto-te a descobrires-me, 
mesmo que eu só me tenho lastimado. 
Não avistas, 
não descobres o sorriso que te dou, 
só por te sentir aí.
Não vês os meus olhos que procuram 
com o empenho sobrenatural que me destinaste, 
sem lembrança, a qualidade de te experimentar 
como se aqui estivesses.

Sim, por isso há palavras que nunca te direi, 
porque as vou emudecer dentro de mim, 
escrevendo-as apenas em refúgios pouco concretos, 
senão mesmo indefinidos, 
como se as chorasse apenas para mim, 
com prantos amontoados 
de não saber que posso fazer mais, 
de não saber que pronunciar melhor, 
de não saber como ser melhor.
Quem sabe um dia tas expresse 
e então as confisques 
para que saibas da sua intensidade e fervor.

Mulher sorri...


Sorrisos convincentes

naqueles

olhos intensos e animados pela dor

ou lance

raiado pelo gáudio de alguém

que foi adequado ao

refúgio de alguns

amantes

inquietos com um istmo

ou um contratempo na

sofreguidão dos encantamentos

atrozes como as gotas em

orvalhos sem contar.

Jornada de ternura


No inicio da jornada de ternura

alvejamos os pontos fortes

delicados e transitórios

numa mesma sensação.

Eram dois sentidos

com lembranças diferentes

para cá

que alguém distinto de nós

insistiu e cunhou para lá

sem tingir o culminar do desejo

sem ofender o limite do prazer.

Fala-se em derrota,

porque permaneceram vestígios

daquela intuição de nós

do que se não criou ou foi gerado.

Sentimos na angústia

dos momentos mais gratos

e mais ternos de cada um

os conceitos de quem nada sabia,

daqueles que cobiçaram

e anseiam por certezas,

que nas entranhas

sustentam um rigor

daquilo que não agrada

mas que os faz contornar

apenas os que nada sabem.

Ou se sabem,

nada fizeram para o dizer.

Estaria tudo bem

nessa firmeza daquele evento

e na sufocação da vontade

se ninguém insistisse

em ressurgir

e contestar os actos,

como se alguém

estivesse cativo

de algumas adequadas vontades.

25/05/2011

Procurarei por ti

até ao fim de um mundo

ainda interminável

que eu não sei!

Demandarei aquilo que receei,

temente de tudo

que se entrega sem regra!

Esgravato e posso encontrar

numa consistência mais forte de mim,

no infinito dos esboços e no modo da incerteza,

a certeza daquilo

que todavia me deu

o sonho de te ter e sentir.

Continuas a ser o ente que se afasta,

mas que jamais se esgota.

Acontecimento que se deseja

num todo ou cada vez mais,

como um desejo louco

e magoado, sem vínculo.

Pressentimento de veludo,

agreste criatura que me foge

e procura como um aroma volátil,

no sentido de um nexo

daquilo que não existe em mim.

Caminhas até me ter,

próximo da tua mente,

com alguma exactidão

e confirmas a certeza

que vais voltar-me a experimentar!

Comprovas assim esta determinação

de manter um ciclo deliberado de vínculos.

Prometo por isso que me sentirás,

de tudo o que quero

fazer-te experimentar,

desde o lado mais cavado

ao mais profundo

do caminho para nós.

09/02/2011

Razão com fé













Relembro um tempo reforçado
com algumas respostas
de dias cumpridos
por frágeis individualidades
sem a percepção de futuros.
Que dizes do tempo?
Escreves na sua sombra
uma ténue marca do nada
e reforças nessa escrita
aquela ideia do nosso passado!
Não encontro palavras
que descrevam essa polémica
do segundo seguinte.
Por isso, parto daqui
parto para não chegar,
ou voltar,
num arremesso do nada.
Parto assim
sem mais nada.

Agradecimento


Tenho-te na memória
queda e sem razão
ser inanimado
sem réstia de trilho
nesses lindos olhos.
Tenho-te assim
e não te quero
tenho a vontade
de palmilhar este mundo
trespassá-lo de vontade
de te ter.

18/01/2011


Elas,
recordam-me aquilo que
foram no encontro
geométrico de nós
de vários resumos de vida
no centro do nosso mundo.
Quando desarrumamos
os turnos dos dias
sinto a fragância da tua tristeza.
O que vai no fio do tempo?
Porque sinto esse frio!
Tens sempre o fim de tudo,
de coisas sem razão.

16/01/2011

Cruzamentos


As cruzadas das nossas ideias
levantaram um símbolo
encostado ao ombro de um pobre velho.
Os olhos do teu refúgio brilham
com uma claridade lunar
numa noite de profunda escuridão.
A sobrevivência fez-se nossa
convergindo num cruzamento
de discursos sem ordem.
Quem explica isto!
Que força surgiu assim
do fundo de um retalho de nada?
Grandeza repartida,
aos poucos
pelo coração dos sobreviventes
onde a face da dureza
enrugada nos dedos
tem uma vontade sem principios.

13/08/2010

Acerca de um comentário


Só fica por perto
quem merece estar
ou quem
tem pretensões de ser
aquele
e o outro
numa vida próxima.
Proximidade de lugar!
De termo, na circunstância
de um alguém.
Quem procura momentos
inebriantes de prazer
também busca intensidades.
Como se essa coisa mais simples
fosse o sublime dito de um prazer,
um bem que magoa e encarna
no fundo do mais malévolo.
Somos assim!
Capazes de estar a ditar
as vontades de cada um
como se um longe assim
parecesse mais perto.

26/07/2010

resumos de tempos

Que são estes os tempos das vontades,
numa dialogante reserva de dor?
Quando a forma surge,
o corpo desaparece.
Parece um sonho, o teu mundo
reserva-se constantemente à fuga
como se quando se escondesse
aparecesse a sua própria essência.
A resposta dele, é um encontro
fictício com a realidade de tudo.
Agora não se tem a forma de ti,
enquanto os refúgios desaparecem
da consciência esbatida.

30/09/2009

Beija-flor 1


Abri a minha consciência

retomando as palavras

escritas como ensinamentos de nós.

Será que me enganei?

Estive a meditá-las

e desejei reforçar uma homenagem,

desdobrando palavras ímpares

e transformando-as em pétalas de amor.

Obrigada beija-flor!

A Incerteza


No fundo, de cada um

houve uma incerteza.

Desconcerto que procurou

a marca do sentido arrebatado.

Quando no interior de um desejo

se abria uma vontade,

surgia a dúvida

sempre incapaz de responder

ao desafio da promessa não cumprida.

06/09/2009

Desejo



A vontade quando não chegou

deixou-nos para trás

do sentido de tudo.

As marcas de um mal

que me pareceu bem,

como se de prazer

se trata-se,
registam-se nalguma inconsciência
vaga e planeada,

e voltaram.

Sim eu senti-as!

Chegaram e arrepiaram-me

um desejo,

para a noite que há-de vir.

05/09/2009

resumos


Mostra-me caminhos,

daqueles que ninguém sonha

onde olhar para o fundo deles

é reencontrar o passado.

Mostra-me, como se comigo procurasses

encontrar um sentido, um refúgio.

Encontra aquilo que pode ser a origem

de um prenúncio de coisa em fim.

Entre a vela e o mastro

sopra um vento

arrancador de desejos

de tudo,

de nós.

Entre ela e ele,

sopra uma brisa

de pequena esperança,

como se tudo fosse apenas isso,

assim

mais nada!

Esse sentido de tudo,

encontra o meu sentido

de nada e procura

a sensação do sonho

que levemente agita um corpo

adormecido por nós.

Esta sensação,

vai de encontro

ao que descreves do passado.

Apenas o sentir para transcrever.

Será que é assim?

02/09/2009

Sofro


Que prazer?
Quem faz!!!
Sem incumbrimentos,
nem cantos rarefeitos
de caminhos estacionários.
Tu,
só dás de ti,
na vontade sublime de mim.
Quem nada possui,
que encontrará?
O mesmo vazio de sempre!
A mesma revolta,
a marca indelével
que em nada
registará o nosso curso.

26/08/2009

(Re)encontro


Numa tarde sem fim

revejo a nossa estada,

enquanto que o plano desta assimetria

me recorda quem não está.



Sentir longe alguém,

é como querer segurar

entre dedos

grãos de areia pequeninos

que se escoam entre eles.



Esta incapacidade

maleficio de mim,

torna-me um afastado

de tudo e de alguém.



Não te revejo,

nessa minha viagem

onde o passado

se torna refúgio para ti.

Não te sinto por perto.

Quero, mas não estás!


09/08/2009

O som de nós



Alinhar ao centro
O som da cigarra
tem o sabor da nossa vontade

e o cheiro do nosso desejo.

O som dela,
sabe-me a ti
,
ao prazer de te ter.
Quando aquilo que vejo
são convergências
de nós!

(Sub)escrito


Houvesse um fundo
de coisas

que distribuissem
perfis, reencontros
e lembranças

encontraria no fundo delas
um momento gravado.

O nosso, só nosso
do perfil de cada vontade
ainda que as suas razões
não fossem falíveis.
As nossas plavras
seriam um (sub)escrito
do sabor perpétuo
em soma de razões.

26/07/2009

Miragem


Miro uma imagem,
de espelho plano.
Imagem plana,
num rebordo côncavo
convexa de intenções.

(Ad)miro a mesma,
com o refluxo
e a refração dos tons
visuais de ti.

Tudo aquilo que alguém vê
(de)mais
às vezes até de menos,
sem nexo de nós.

Recordo-me em ti,
conforme os dias possam,
os passos restam
e os compassos retificam
um acordo dos nossos corpos,
na pressão inquieta
de cada acerto
num encontro
com um fim
em vista de cada fundo
de um dia ao amanhecer.

Quando te procuro
nesse instante,
nada mais resta de sinais
de ti ou de nós
a menos,
por prazeres havidos!

24/07/2009

Penso



O vicio do pensamento

é ímpar da ideia de mim,

deitando-me sempre as culpas.


O momento da minha vida

está incrustado no peito do mundo

como se um coração fosse.


A transformação da distinção

entre o passado e o presente

encontra-se na destruição do futuro.


O apelo do que já não serve

é aquilo que desacerta a existência

que aguenta um acerto de humildade.



Fosse eu capaz de olhar os mundos,

de nós e de cada um.

De cima

numa perspectiva global

tridimensional!



E se és capaz de me imitar

os dois teremos capacidades bastantes

para abençoar o dia que escurece

a indiscrição de ninguém.

02/07/2009



Vem!
Vou morrer,
vamos
encontrar-nos,
morrer por
morrer
e entrar para
o nosso mundo!
###############################
############################
#######################
##################
#############
########
#...#


Desafio a criação de tudo
E encontro o profundo de nós.
Procurando até ao limite, encontro
O limite de mim.
Obrigado.


Estando no mundo
## no preconceito,
Aquilo que #### era
A #### profunda.
Porquê?
O fundo de ###, fundo
A margem das coisas,
Sem lugar a área do
Limite.
O encontro de tudo está
Por nós. Enfim!


mulher neutra


Entrar no meu interior,
E a minha mente procurar-te!
Entre nós e o mundo
Fica o infinito:
Se queres podes procurar
O fim da nossa evidência
Encontra(ndo) o limite
Do mundo.
O infinito
Olha para o infinito
Encontra a porta dos encontros.
No fundo percebendo
O que desejas,
O fim está
Quase perto de todos.


Corre ao fundo de mim,
Procurando o início do mundo.
Que encontras? Vazio!
Claro, a vida está apagada,
Como se de um filme em branco
Se tratasse!
Quando voltarei, encontrarás
A certeza do receio,
Porque o apetite de te ver
É muito! É grande!
Quando voltares, vamos rever
Tudo o que não queremos
E desencontrar o princípio
Do fim.


No fundo, quando procuramos
o início de nós, o que encontramos?
Dúvida, incerteza, indefinição?
Procuramos todos o nosso fim
E o que encontramos?
Incerteza, indefinição e dúvida.
Em suma, quando nos propomos
Encontrar um caminho, uma vida
O que nos aparece é nada!
Mas nada, pode ser?!
Em tudo pode ser algo,
se com força de vontade
encontrarmos o que queremos.
Em tudo, tem tudo!

A outra margem



Música ardente, esboço de um movimento
De alguns corpos virtuosos.
As virgens bailam, no centro os meninos,
Comem os lobos, como um capuchinho
Que meu pensamento guardou
Dum mundo terrível
Onde lobos e meninos não são homens.
As virgens bailam… bailam…
E eu sorrio e gosto, elas gemem
Como se os seus corpos fossem desejo.
E por elas correm rios
Onde alguém, tentou alcançar
A outra margem.


Há algo de “naif” em mim,
Procurando o significado das palavras e dos actos.
Surpreendendo à esquina de cada ideia
A vontade de partir.
Como um movimento que se repete,
Cristalino, periódico,
Em nossos corpos microscópicos
Procura uma maneira
De dizer
Amor


Caí de mim, como num poço sem fundo
Procurando em vão a alternativa
De superar aquela ideia
Resposta ao leve sorriso do meu amor.





O mundo que hoje tenho
reflexo em espelho
sabor de nada.
O que é isto?
Nada é como era!
O que era jamais será!
Enfim, por mais que procures
Não encontrarás nunca
O fim do teu sonho
Por mais belo que seja.

Poema alinhavado





Alinhavei o meu discurso,
Habituado à espiral das palavras,
Procurei entender o que escrevi.
Preso no tom de cada frase,
Abracei a ideia e apaguei a imagem.
Entendi, então
Que entre o mundo e a sombra,
A palavra não existe.



É para estes versos que
eu quero que as palavras contem

Aviso



Disfarcei-me de sentir os teus desejos,
Para que fora de mim
Procure o encanto dos teus sentidos.
Infinitamente choro de alegria
Como quem festeja aniversários de infância,
Pensando no momento de acabar,
Mas volto a procurar nos teus sentidos
E com eles voltam os vagos momentos
Das manhãs de primavera,
Floridas, perfumadas
Com o breve sussurro dos versos feitos
Sonolentos, desprovidos de sinfonia,
E vejo então que o fim
Não termina onde eu quero, mas continua.

Este futuro



Hoje acordei no dia d’amanhã
Com a vontade sóbria de dizer adeus ao mundo.
Para que a eternidade fique no lugar
Com os olhos postos neste “futuro”
Onde os pássaros não têm asas
Mas voam.
Os homens não têm línguas
E falam como os mortais.
Quero poder avançar
E por muito que avance,
Prefiro sentir-me agachado sobre o mundo.
Ontem levantei-me com o pensamento nas mãos,
Hoje acordei com os olhos postos neste “futuro”.


Sinto-me como a noite,
Apenas contenho a sombra estéril
Filha do escuro da tristeza.
Com este fetiche, na fervura
Do feitiço, avancei ao efémero.
Por tua felonia, por teus desejos loucos
Sinto-me como a noite,
Depois da linha imaginária do prazer se perder,
Por tudo.
Arranca de mim toda esta raiva,
E leva-me daqui no impacto dessa melancolia.
Desprega de mim a tua figura… e parte






Resolvi amar-te
Com o som melodioso
Do ritmo acelerado
De dois corpos
Em apoteose de amor.

Pronto a sorrir



Resolvo partir na tristeza do destino
E voltar pronto a servir
Agarrado aos privilégios do mundo
Alimentei a fantasia desta vida
Digerindo as tristezas no copo de vodka com laranja
E pronto, permito-me agradar o mundo.
Com um requinte de gestos miseráveis
Minuciosamente estudados no universo
Espelhado do horrível mundo nosso.
Sustenidos, lágrimas, sorrisos,
Mesquinhices, chinesices,
Emoções fortes (só para ajudar o consumidor)
Tudo tão bem representado
Que é impossível parecer falso.
(este é o fim do espectáculo)
Perdoai-me senhores.

A guerra dos guerreiros



Recusei-me a ouvi-la
Recusei-me a senti-la.
Porque sim.
Porque não quero mais guerra,
Aquela guerra dos canhões,
Aquele louco bradar das vozes
Aquela louca vitória dos loucos.
Sofrendo a banal dor dos massacrados
De ódio, servidores de “galões”.
Não posso reconhecer a injustiça
Nos escravos da guerra,
Irreconhecíveis, anónimos e ingénuos,
Que nas garras do valor patriótico
Combatem até ao fim,
Esclarecendo corpo a corpo
O sonho dos chefes valorosos
E glorificados.
Os chefes que de noite, ao som dos canhões,
Partem do mundo, esquecem a guerra,
No corpo das suas amantes.
E são eles que sedentos de amor,
Tarados do amor, não fazem a paz.
Querem apenas amor
Nos braços ternos de uma qualquer.
E os outros, tristes,
Bafejados pela ruína e desalento,
Eles que mutilados de dor,
Procuram o abrigo,
Encontram na face das suas mulheres pobres d’amor
As lágrimas amargas da amargura.
E choram.

Dois anos


Dois anos passados,
Nada aqui mudou.
Nos dias contados
Pensei no que sou.

Senti-me no fim
Num lugar distante,
Senti-te assim
Como minha amante.

Dois anos passados
Esperando por ti,
Os dias encurtados
Esperei-os aqui.
Não voltaste, perdi-te.
Mas eu resisti.

O sonho onde te vi



Percorri com todo o ser, o lugar de onde vim,
Senti no doce amargo o ar do que senti.
Parti carenciado do sortido desse olhar,
Julgando-me perdido nas loucuras deste mundo.
Acentuei aqui a validade de mim,
Confiando cegamente nos atributos do sonho
Rasguei a planta de tudo que resolvi,
Erguendo as mãos às vozes que me seguram.
Examinei a vida e resolvi partir,
Percorri assim o sonho onde te vi.

Espero por ti



Espero por ti,

aguardando ansiosamente.

Segue o sonho,

e procura-me.

Recolhe o som dos meus passos

e encontra-me.

No leve adormecer do sobrespaço




Os ventos do sonho, voltaram
Com eles as andorinhas.
Tu voaste, voaste para mim
No leve adormecer do sobrespaço.
De repente o habitual fatigou-se, e dormimos,
Ao nascer do sol a chuva partiu,
Entre os lençóis dois corpos cobriram-se.
Desprendeu-se de nós o amanhecer,
E olhou-nos, criou o hábito sensual
Do teu sorriso, o rumor das ninfas.
Junto à lareira, perto do fogo
As mágoas avançam no crepitar,
Repousando na névoa matinal,
E perdem-se no infinito do balcão celeste
Entre o tom azul cinzento,
Surgiste, oh alma bela, como as andorinhas,
Junto a ti, na doce mania do vento morno,
Eu, o eterno e saudoso vencedor,
Cavalgando nas nádegas do vento,
Irritei o tempo, expirando a ternura
E voltei onde as casas me esperam,
Onde o meu nome sempre bela te chamará.

Quero apenas paz




Rotina, perguntas-me quem sou?
Respondo-te apenas isto:
Eu fugi, para O alcançar.
Perseguido, manobrado, desesperado,
Eu fugi, para voltar ao amor.
Desfizeram e levaram o meu sonho
O sol dos meus quereres.
Eu senti-te, rotina…
Mas preferi alcançá-lo,
Emanar para ele tudo o que sou,
Tudo o que quero, naturalmente
Sem os ouvir gritar, uivar, grunhir.
Quero ser livre, poder dizer o que senti,
Poder chorar, poder recordar o sonho.
O sonho não dura, mas a vontade continua,
Parte como a corrente que me segura,
Leve como as asas que a ele me elevam
Prefiro o som de cem mil trompetes
À voz dos teus dizeres.
Prefiro a voz das minhas paixões
Ao som dos teus haveres.
Quero apenas a paz,
A paz que todos anseiam,
Mas que por ela todos morrem.
Por isso deixa o meu ser amar,
Por isso quero escrever,
Amar aquilo em que acredito.

O refúgio da amargura




Partiste, deixando-me só
E do meu coração saltou aflito
O tremor doloroso e entalado,
Que relatou esta dor tão sublime
De um homem loucamente apaixonado.

O sofrimento que me fez ficar tão fraco,
Foi superior ao extremo adeus

Dum morto agonizante.
As lágrimas surgiram pouco a pouco,
No alvorar de uma dor inquietante.

Chorei a essência dessa dor,
Procurei-te loucamente sem parar.
Não valeram mais as palavras, não,
De um homem que sem nada para dar,
Procura, até morrer, a consolação.

Recolhido no refúgio da amargura
Passei vinte e três horas do dia à janela,
Tentando então ver-te aparecer.
Aqui, neste meu posto de sentinela
Eu sinto que o tempo é pouco… e vai morrer

No amor o que vale é amar




Estou aqui misturado no mundo
Julgando tudo com dignidade,
Sofrendo e escondendo a minha dor.
Esqueço o teu olhar, a tua vaidade
Continuando a caminhar até ao amor.

Despertei a manhã, na expectativa
De voltar a encontrar-te nesse silêncio,
Mas a palavra apareceu e poisou em mim
Como o silêncio poisou no nada,
E conservei no coração o dom de te amar assim.

Fugiste da fonte da felicidade
Voltando ao mundo louco e desconcertado,
Criaste o homem insatisfeito,
Possuído pelo fogo do real,
Incapaz de te sentir ao ser amado.

Foi a fraqueza quem abraçou tua alma
Criando o despertar do sentimento que o eleva ao amor
Porque o amor não morreu,
O amor é eterno, insubstituível.
O que morreu foi a vontade de o acender,
Só o homem que sentiu o vazio na alma
Estará pronto para o receber,
E só assim a vontade de amar voltará.