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29/06/2009

O Ídolo



Um coração sem amor

Procura um ídolo sem razão.

Uma terra sem horizonte

Busca as letras do meu sonho.


Procurando o sentimento

Eu encontrei a razão,

Deste amor sem a paixão

Esquecida do teu lamento.


No fundo do teu olhar,

Quis crer nesse lamento.

Mas por mais que procurasse

Só encontrei esquecimento.


Vou esquecer a viagem

Vou esquecer esse horizonte,

Para lembrar alegria

De um homem com sentimentos.


Descobrir-te,

Aqui e agora.


Amar-te

E depois ir-me embora.


E voltar...

O mundo das mãos com as mãos



Volta, vamos viver,
o mundo da mão com a mão.
Onde se não sente nisso prazer,
onde o querer é natural aspiração do ser,
que te iluminou nas trevas.
Não existe em minhas palavras,
a poesia que minh'alma
Nem há em meus pensamentos
A ridícula mania de amar,
Que me faria vulgar,
Não, não existe,
Existe, sim, a doce mania,
De o servir e de o entender,
Porque só o meu amor,
Não sendo superior ao teu sentir
Abrange toda a oculta comoção
De ganhar a melhor prenda neste mundo:
O segredo do teu coração.

Para F...



Eu que fui o teu calor, o teu abrigo,

Talvez já não me lembres, p'ra meu desgosto,

Talvez já não recordes de sentir comigo,

Aragem nos silvados, delirios de Agosto.


O que viveste ali, só comigo!

Não me esqueço mais desses caminhos,

Que me levaram até ao teu abrigo

Quando quisemos ser grandes amigos.


Agora aqui nesta cidade sombria,

Aqui neste quarto emparedado,

Transpiro pelos poros agonia,

de a mim nunca te teres resignado.


Agora é que vejo tudo transparente,

Aqui que meu modo de vida mudei,

Para que possa viver eternamente,

Sem pensar nos dias em que te amei.

Ao meu ar



Ao meu ar pensativo e senhoril

Quantas vezes lhe sigo as pisadas,

Quando o seu bravo e selvagem perfil

Me vai dando ideias complicadas.


Ah! Como me assombra e fascina

Este seu ar de imaginar.

Dá-me vontade de emergir

e de musicar o meu andar.


O seu modo altivo e real

Seu sorriso sério e cortante,

Pica-me como se fosse um punhal

Mas seu coração é como um brilhante.


Enfim! Aqui vou eu pela estrada

Nesta noite aromática e solene.

O meu ar comigo ficou alucinado,

e fugiu de mim, como algo que me teme.

Hei, Caro! Abaixo a Dolce Vita



Hei caro, ouve-me,

Escuta-me!

Vou gritar-te!

Abaixo a Dolce Vita.

Olhas-me?

Não te percebo?

Não me vês furioso?

Olha-me, fere-me, grita...

Adeus, adeus,

Estou forte, já vou partir,

Chegou o momento de agir,

Espero apenas um sorriso,

Espero uma noite sem sons,

para que o sorriso,

me veja a entrar na dor.

Tenho que procurar o sorriso

do sonho no dia acabado.

Estou a pensar partir,

por isso... um sorriso,

apenas um sorriso.


Hei caro,

Dolce Vita é utopia.

Utopia é viver docemente...

Resposta e Decisão



Espero, ansiosamente, uma resposta

Espero, ansiosamente, uma decisão.

Gostava que decisões e respostas fossem unas,

Como una é a boca donde vêm,

Como uno é o corpo para onde vão.

A vontade de as ouvir é tão forte,

Que se torna impossível segurá-la,

Pouco a pouco ela vai desfalecendo,

Passam minutos, horas, dias,

e eu aqui,

Continuo a amá-la.

Vontade, decisão, resposta,

Consigo não sofrer por vossa causa,

Porque a minha vontade é mais forte

do que essa que demora.

Eu, esperarei por ela.

As suas respostas

São seguras,

As suas decisões

São importantes.

Todas parecem ter uma vontade própria

que a mim me faz ver como sou fútil.

Espero palavras,

decisões,

respostas,

Penso nelas, como penso em mim,

Mas se delas eu espero o futuro,

Parece que vou perder tudo,

Até a vida.

Insatisfeito



Vêm-me as ideias.
Aparecem-me as letras,
As palavras saltam para o papel,
Ouço-lhes as vozes.
Mas, eis que chega o silêncio.
Fala-me de tristeza
de frustração
da rotina
Fere-me a pele
Transforma a ausência.

Fecho os olhos,
Tento ouvi-la.

Sinto-a cada vez mais forte,
Cada vez mais perto,
Sinto-me vazio.

Será que lhe posso fugir?
Quem tem força não foge!

Ela corre para mim, como uma pedra rolante,
Disfarço-me,
Escondo-me,
mas, num repente, tudo se torna mais difícil.
O caminho torna-se longo,
Insuportável de transpor.

Parto, então, no sonho,
Viajo na longa viagem.
Eu sei, ele leva-me ao lugar desejado
Que me dá o que quero possuir.
É o fim!
Chegou ao fim a viagem,
Não vou parar,
Não quero perder o que já ganhei.

Afinal fico por aqui,
Porque embora tenha tudo,
Parece-me que nada (de)tenho.

A ti, meu bem
eu que te procuro,
ofereço-te estas palavras
para que fuja de ti o esquecimento
que é sempre coisa que passa,
como o rio que passa pelas margens,
deixando a água clarificar o que fica.