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29/05/2011

As palavras que nunca te direi....

Escondo os clamores que às vezes me apetece dar, 
para saber de ti.
Reprimo-me invisivelmente e não falo 
para que não saia desta boca 
o som ténue e cada vez mais corroído 
que não nos une.

Escrevo palavras que ofertam, 
como se elas por si só, 
doessem, e às vezes 
choro quando o faço. 





E atenua, mas há palavras que nunca te direi!
Não por pudor, 
não por receio, a
penas porque não as perceberias, 
porque eu não saberei o que fazer com elas, 
e por isso não as poderei dizer.
Tenho a certeza que elas 
têm existências cheias de vida, 
árduas, carregadas de mim.
Mas escrevo apenas algumas, 
as que sinto a sua leveza de as escrever, 
naquilo que se traduz em serem tão rápidas 
de escrever como o são quando as considero.
Cogito realidades com uma fúria de sentir, 
de dilatar, de não magoar ou ofender.
Prescrevo-as 
como se de receitas 
de sobrevivências se tratassem, 
qual remédio de ficar robusto, 
bálsamo de não desvairar.
Quem sabe um dia ceda e leve 
até ti tudo isto que rabisquei.
 Seja a raiva do desejo que avalio, 
seja a ferida por malefício pouco eficaz, 
sejam memórias de instantes tão bons, 
seja o que te sinto, sei que são as saudades 
que cerceiam neste sentimento 
a que já nem sei dar título e que experimento por ti.

Quando sinto que te omito, i
sso em mim ainda é afecto.
Às vezes completo-o com o gracejar das minhas realidades acanhadas, 
e assim invento-te só porque existes. 
Mas tu não sabes.
Alguma vez sinto-te a descobrires-me, 
mesmo que eu só me tenho lastimado. 
Não avistas, 
não descobres o sorriso que te dou, 
só por te sentir aí.
Não vês os meus olhos que procuram 
com o empenho sobrenatural que me destinaste, 
sem lembrança, a qualidade de te experimentar 
como se aqui estivesses.

Sim, por isso há palavras que nunca te direi, 
porque as vou emudecer dentro de mim, 
escrevendo-as apenas em refúgios pouco concretos, 
senão mesmo indefinidos, 
como se as chorasse apenas para mim, 
com prantos amontoados 
de não saber que posso fazer mais, 
de não saber que pronunciar melhor, 
de não saber como ser melhor.
Quem sabe um dia tas expresse 
e então as confisques 
para que saibas da sua intensidade e fervor.

2 comentários:

.l disse...

cada vez mais intimista...

esta lavagem de cara - nova roupagem - tornou o blog bem mais bonito...


e a escrita está a assumir um tom mais pessoal e objectivo...

muito bonito...muito sentido e com sentido.

the man on the moon disse...

Obrigado pelo conforto das palavras.