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31/05/2011




Hoje,
poder antever réstias de tudo,
nas palavras que me destinas
será uma mágoa,
marco do teu contento.
Com isso fomentas no desconsolo
de estar perto de alguém
que por não me poder ter mais,
intensifica em mim
o desalento de coisa sem paladar. 
Misterioso este capricho ou sabor
num plano sem certezas
mas com desejos. 
Como se não sobejasse
nem uma ínfima partícula de ti
que permitisse criar
sensações desse teu ser!
As vontades subtraídas,
moldam-se ao reflexo
de encontros
ou desencontros de tudo
que a nossa memória conquistou,
abriga ou despreza.
Tenho-te apenas,
em mim numa forma
mais desconcertante
que alguém pode ter,
como se desejasse não me lembrar
do desprazer que me dá esse contento!
Mas tenho-te aqui
sempre presente,
em cada traço do meu dia,
como se fosses o reflexo
do melhor que se pode dar. 
Ambiciono ter-te para sempre
como episódio eminente
de tudo aquilo
que me faz encontrar razões
onde eu próprio estranhava,
que deixa marcas nos poros
ou em focos de respiração 
incessante por ti.
Se estes não pudessem cumprir a sua vital função,
pelo facto de estarem vedados a tudo
o que experimentei
diante e contíguo a ti
chegaria já
para mostrar caminhos de futuros
naquela memória sem alternativa
que constantemente suplica que te deixe partir.
Escapar e compor essa vontade
no que está oculto no meu corpo,
naquilo que for ressentido
faz-me sempre inverter
esse porto de abrigo
que foste
e que continuas a ser,
até à pronunciação do desfecho dos tempos.



1 comentário:

.l disse...

há um fundo já conhecido neste poema, mas parece-me aperfeiçoado. é como já disse. parecem diferentes. há uma certa maturidade no posicionamento. um fulgor mais polido e consistente.
muito bonito, mais uma vez.